O BARROCAL

A região do Barrocal é constituída por uma área de 205 quilómetros quadrados de terra, que é o remanescente de um antigo oceano. O território é agora tipificado por campos de pedras calcárias, vegetação autóctone, com sistemas de cavernas e aquíferos.

Grande parte da água subterrânea da região é recolhida e armazenada dentro destes aquíferos. Por isto, a protecção da água é uma parte importante do trabalho da PROBAAL, bem como a preservação da paisagem única e biodiversa.

Também nos preocupamos com os aspectos humanos e sociais da região do Barrocal, o seu património e cultura, que estão tão intrinsecamente ligados a esta terra.

Grandes áreas do Barrocal tinham conseguido manter-se intactas, especialmente no Sotavento Algarvio. No entanto, durante os últimos anos, estas áreas intocadas têm sido cada vez mais corroídas pelo aumento acentuado da agricultura intensiva e mono cultural, com plantações cada vez maiores de citrinos, fruteiras exóticas e grandes extensões de estufas de plástico, estas últimas para o cultivo de tomate e frutos vermelhos, espalhando-se por toda a região.

Este desbravamento em larga escala tem um impacto irreversível na paisagem, despojando-a das suas características naturais, danificando o solo e dizimando a biodiversidade que de outra forma existiria. Todas estas novas culturas são também sedentas de água, numa região que já pouca água tem.

A última ameaça às terras agrícolas do Barrocal, é a proliferação de plantações de uma fruteira exótica: o abacate. Devido à grande procura mundial deste fruto com enormes necessidades hídricas, os abacates estão a ser plantados no Algarve a um ritmo alarmante, sem aparentemente nenhuma consideração pela quantidade insustentável de água que estas árvores tropicais necessitam.

Como estas acções são permitidas pelas autoridades, cabe aos cidadãos e grupos ambientalistas chamar a atenção das agências e entidades ambientais, com o intuito de tentar travar estas actividades danosas através da via judicial. Neste momento, muitos danos irreversíveis e insanáveis já foram causados à paisagem pois qualquer desmatamento e desprega da terra é impossível de corrigir – pelo que mais território do Barrocal natural se perderá para sempre.

Seria de supor que as terras que constituem a Reserva Ecológica Nacional (REN), e que fazem parte do Barrocal, estariam a salvo da devastação, e a PROBAAL acredita que deveria ser esse o caso. Os cidadãos comuns devem respeitar as designações REN e não estão autorizados a alterar a terra – mas parece haver excepções para as energias renováveis, sendo por isso esta a maior ameaça de destruição da paisagem do Barrocal.

Com a pressa do governo português em cumprir os acordos de 2030 sobre o carbono, cerca de 1% de todo o país está destinado à instalação de centrais solares. Em termos reais, isto representará a erradicação de 800 quilómetros quadrados de vegetação.

De forma alarmante, e ao contrário dos ideais verdes das energias renováveis, esta implementação não parece estar a ser realizada em conformidade com a defesa do ambiente, uma vez que na primeira metade de 2021, 8 dos 9 projectos em consulta pública estavam a ser propostos para serem implantados em zonas florestais. O Barrocal não escapa a este processo, com várias centrais eléctricas já construídas e outras propostas para novos locais como Montechoro I & II e ESTOI-TAVIRA (Cerro do Leiria)